5.24.2009

"And not only in time are we expanded. In space, too, we stretch out far over what is visible. We leave something of ourselves behind when we leave a place, we stay there, even though we go away. And there are things in us that we can find again only by going back there. We go to ourselves, travel to ourselves, when the monotonous beat of the wheels brings us to a place where we have covered a stretch of our life, no matter how brief it may have been.

(...)
Otherwise, why should it be a magical moment, a moment of silent drama when the train comes to a complete halt with a final jolt? It is becuse from the first steps we take on the strange and not strange platform, we resume a life we had interrupted and left (...) What could be more exciting than resuming an interrupted life with all its promises?

It is an error, a nonsencical act of violence, when we concentrate on the here and now with the conviction of thus grasping the essential. What matters is to move surely and calmly, with the appropriate humor and the appropriate melancholy in the temporally and spatially extended internal landscape that we are. Why do we feel sorry for people who can't travel? Because, unable to expand externally, they are not able to expand internally either, they can't multiply and so they are deprived of the possibility of undertaking expansive excursions in themselves and dscovering who and what else they could have become."

[in Night Train to Lisbon,
Pascal Mercier]

4.20.2009

talasnal

Já não ia ao Talasnal desde Setembro. E desde essa altura apareceram uma data de candeeiros estranhos pelo meio das casinhas de xisto. Mas a aldeia continua a ter a mesma magia e a ter a capacidade de me recarregar as baterias. Soube-me mesmo bem o fim de semana, mesmo com dias de chuva.

A casa do Mocamfe:

4.03.2009

coincidências parvas

nunca mais tinha ouvido esta música desde julho. Hoje passou na rádio.. uma vez mais nos últimos dias aqui!!! ;)

(algumas) coisas de que tenho saudades

- bom café
- ir ao cinema
- falar português (e ouvir português à minha volta)
- praia
- a velha-a-branca
- o insólito!
- tomar um café e ler o jornal de manhãzinha antes de ir para a universidade
- chamadas e mensagens de telemóvel baratas. Bem baratas!!
- guias
- ir até ao centro com a Cátia
- jantares/almoços parvos com a Rititi
- mocas de estudo partilhadas
- ficar em casa à noite, só a dar duas de treta ou a ver coisas de merda na TV (que não tem os programas todos dobrados)!
- ir a viana ao fim de semana e tomar café com o pessoal
- levar a mafs a casa e ficar horas a falar à porta de casa dela; ou apanhar boleia da tania e ficar horas a falar à porta da minha!!
- conduzir
- ouvir o joao e o miguel a tocar guitarra
- beber uma superbock e comer tremoços numa esplanada
- jantar fora não significar "só" comer umas tapas
- jeropiga e favaios! ahah
- ir para a zona dos cafés, onde toda a gente se conhece
- poder dizer piadas do gato fedorento e ser entendida
- a minha cama
- almofadas normais
- comida da mamã
- ...

4.01.2009

apeteceu-me!

Foi no Domingo passado que passei
À casa onde vivia a Mariquinhas
Mas está tudo tão mudado
Que não vi em nenhum lado
As tais janelas que tinham tabuinhas

Do rés-do-chão ao telhado
Não vi nada, nada, nada
Que pudesse recordar-me a Mariquinhas
E há um vidro pegado e azulado
Onde via as tabuinhas

Entrei e onde era a sala agora está
À secretária um sujeito que é lingrinhas
Mas não vi colchas com barra
Nem viola nem guitarra
Nem espreitadelas furtivas das vizinhas

O tempo cravou a garra
Na alma daquela casa
Onda às vezes petiscávamos sardinhas
Quando em noites de guitarra e de farra
Estava alegre a Mariquinhas

As janelas tão garridas que ficavam
Com cortinados de chita às pintinhas
Perderam de todo a graça porque é hoje uma vidraça
Com cercaduras de lata às voltinhas

E lá pra dentro quem passa
Hoje é pra ir aos penhores
Entregar o usurário, umas coisinhas
Pois chega a esta desgraça toda a graça
Da casa da Mariquinhas

Pra terem feito da casa o que fizeram
Melhor fora que a mandassem prás alminhas
Pois ser casa de penhor
O que foi viver de amor
É ideia que não cabe cá nas minhas

Recordações de calor
E das saudades o gosto eu vou procurar esquecer
Numas ginjinhas

Pois dar de beber à dor é o melhor
Já dizia a Mariquinhas
Pois dar de beber à dor é o melhor
Já dizia a Mariquinhas

[Amália Rodrigues - A casa da Mariquinhas]